quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Desempregado e Recusando Trabalho?!?!


Olá Amigos!

Não planejava postar mais nada antes do balanço financeiro de set/17, mas aconteceu algo que me deixou perplexo!

Tenho um parente que está com a esposa morando na casa da minha mãe há quase um mês.
Essa semana minha mãe perguntou se eu não tinha algum sapato ou tênis usado para doar para ele, pois estavam passando necessidade. (dando a entender que dinheiro também seria muito bem vindo)

Fiquei compadecido com a situação, e realmente pensei em ajudar. Até que...

Ontem fiquei sabendo que ele tinha rejeitado um emprego em um supermercado para ser locutor com um salário de 1.800 reais. Segundo me falaram ele disse que era muito pouco, afinal o serviço dele era diferenciado.

Gente! Não tenho nada contra uma pessoa se valorizar e sempre buscar maiores remunerações, porém o cara está desempregado juntamente com a esposa! Também está morando na casa dos outros e anda de sapato furado! Como é que rejeita um emprego?

Vamos voltar um pouco no tempo?

Quando esse indivíduo tinha seus 20 e poucos anos, era concursado em dois empregos. Tinha salários razoáveis e estabilidade. Sabe o que ele fez? Largou tudo e mudou-se para outro estado para estudar e tornar-se pastor. Pois bem! Até aqui muitos já achariam loucura não é?

Se fosse uma daquelas histórias de pessoas que se arriscaram e conseguiram sucesso, o que falaríamos?

O problema é que ele praticamente nunca ficou à frente de uma igreja como "pastor diretor", e quando ficou uma vez conseguiu esvaziar a igreja devido à sua intransigência e personalidade forte.

Paralelamente à esta atividade de pastor ele também se especializou em locução. Então ele sempre fazia uns "bicos" em gravações de comerciais e serviços de "marketing" em supermercados e comércio em geral. Nesses mais de 20 anos desde a decisão de abandonar o emprego concursado, em várias oportunidades soubemos que ele pediu ajuda financeira a parentes.

Eu me pergunto: Como uma pessoa pode passar dificuldades por 20 anos e ainda insistir em ganhar dinheiro da mesma forma?

Eu até tenho receio de julgá-lo dessa forma, mas não posso negar que penso que esse camarada gosta de moleza. Pensem bem: Trabalhar de Pastor, fazer locução... Para mim é muito fácil trabalhar com isso. Não dá "trabalho" nenhum!

Temos um outro parente em comum que tem um negócio próprio e trabalha como autônomo. Com essa crise, os negócios diminuíram bastante. Através da minha rede de contatos consegui um emprego para ele ganhando inicialmente 1300 reais. O que ele fez? Aceitou! É hoje um dos funcionários mais elogiados e acho que logo crescerá na empresa. E não para por aí! Após terminar o expediente ele ainda continua com o serviço de autônomo à noite e aos fins de semana. Esse camarada trabalho duro em duas jornadas em serviço pesado e não tem medo de trabalho.

Resumindo:

Parente 1 - Desempregado, casado sem filhos, mora de favor e rejeita emprego de 1.800 reais para ser locutor.

Parente 2 - Trabalha pesado em dois empregos, casado com filho, tem a casa própria e aceitou 1.300 inicialmente no emprego principal.

Algumas pessoas acham que sou socialista devido à recentes postagens que defendo algumas políticas de bem estar social. Mas não defendo direito algum para cidadãos como esse parente 1.
Estou mais inclinado à políticas sociais para doentes, para formação de nossas crianças, e para adultos somente em alguns casos específicos.

Sinceramente, eu até me sinto culpado as vezes de não ajudar. Porém são acontecimentos como este que me dão aquele desejo "diabólico" de ver a pessoa se f**** para aprender a ser gente, a ser mais humilde e largar a vagabundagem. Impressionante a capacidade dele de só fazer escolha ruim e ainda pegar a Bíblia para julgar os outros de avarentos e amantes de dinheiro por não ajudarem.

É por essas e outras que o nosso país não vai para frente. Eu sei que é meio clichê repetir isso, afinal existem tipos como esse em vários lugares do mundo, mas no Brasil isso parece ser uma cultura enraizada nos mais profundos da alma.

Enfim, um tênis usado eu acho que vou doar, mas não mais do que isso!

terça-feira, 26 de setembro de 2017

Rentabilidades Exatas! A sua é?

Bom dia / tarde / noite Amigos do Senhor Bufunfa!

Hoje vou apresentar como administro os meus investimentos, como também a rentabilidade.
O método que vou apresentar foi criado por mim mesmo, e pelo que vi aqui na comunidade ninguém faz nada parecido.

A grande vantagem da planilha que criei na minha opinião é que não é necessário fazer a aplicação no início do mês para que a rentabilidade informada na planilha seja o mais correta possível.

É muito comum ver na maioria das planilhas utilizadas o seguinte padrão:

Valor inicial      Aporte     Valor Final     Rentabilidade
5.000               1.000       6.050              0,833%

Neste caso a rentabilidade foi calculada considerando:
[ valor final / (valor inicial + aporte) ] - 1 

Essa é uma fórmula boa, mas só serve quando quando o aporte é feito no mesmo dia do valor inicial. Ou seja, se o valor inicial no dia 1 era de 5.000, o aporte de 1.000 deve ser feito no mesmo dia.

Cada dia mais distante que o aporte é feito em relação ao valor inicial, mais errada a rentabilidade de 0,833% se torna.

É óbvio que um lucro de 50 reais representa uma rentabilidade bem maior se obtido em um período de tempo menor.

Foi para driblar esses erros que elaborei a planilha abaixo. Vamos ver como usá-la?
(Essa planilha específica é para meus CDBs)

Vamos começar preenchendo os campos referentes aos DADOS do investimento. Essa parte é fácil, pois é só preencher o nome do seu investimento, a taxa contratada, e o valor Atual (inicialmente é o valor investido). O campo da taxa IR é calculado automaticamente comparando a data de hoje em relação à data de compra.

Posteriormente deve-se preencher nos campos de COMPRA as informações sobre a data da compra e o valor investido descontadas as taxas se houverem. O campo valor de compra e data de compra não devem mais ser alterados.

Vamos aos cálculos de rentabilidade? Então vamos aos campos LUCRO

Para funcionar o cálculo destes campos, antes de mais nada deve-se atualizar o campo Valor Atual.
Você deve verificar o valor para resgate do seu investimento no dia e preencher. Vamos usar como exemplo a aplicação SOFISA LIQ DIÁRIA.

A primeira coluna no campo LUCRO é R$ LUCRO. Este é muito fácil, é apenas a diferença entre o Valor Atual e Valor de Compra.
808,39 - 800 = 8,39

A segunda coluna é % LUCRO. Essa fórmula é muito simples:
R$ Lucro / Valor Compra ou,
8,39 800 1,0% (ou 1,049% para ser mais preciso)

A terceira coluna é % LUCRO A.M.
Aqui já começa a ficar interessante! Essa é a verdadeira rentabilidade que me interessa!

A fórmula é:

(1+% LUCRO) ^ ((365,25/12) / ((DATA DE HOJE+1) - DATA DA COMPRA)) - 1
(1+0,01049%) ^ ((365,25/12) / ((26/09/2017 + 1) - 31/07/2017)) - 1
(1,01049) ^ ((30,4375) / (58)) - 1
(1,01049) ^ (0,52784) - 1
0,5% (ou 0,549%)

Observações:

Alguns cálculos aqui carecem de atenção:

1 - Utilizei 365,25 como o total de dias do ano para compensar o ano bissexto. Caso queiram, podem usar somente 365

2 - No Excel, a data de hoje pode ser otimizada pela fórmula "=hoje()"

3 - Para data de compra, não deve-se escrever 31/07/2017, mas sim o seu equivalente numérico.
Caso você faça a fórmula referenciando a célula que já foi preenchida com a data, tudo bem. Caso contrário você deverá digitar 42947 como sendo a data de compra.
De onde eu tirei isso??? Fácil! Escolha uma célula vazia e digite a data da compra (31/07/2017). Agora no formato da célula ao invés de "data", mude para "geral" ou "número". Esse número 42947 encontrado é o que eu chamo de correspondente numérico da data (no caso para 31/07/2017). No cálculo o Excel considera esse número, e não 31/07/2017 ok? Isso vale para qualquer fórmula que envolva datas.


Agora temos uma rentabilidade mensal que considera exatamente o dia da aplicação. Faça experimentos mudando a data da aplicação e verifique que a rentabilidade bruta permanece, porém a rentabilidade mensal aumenta conforme a data de aplicação é mais próxima a data de hoje, e também o efeito contrário.

Até aqui calculamos a rentabilidade mensal de somente uma aplicação, repararam?

E se eu quiser saber a minha rentabilidade geral? A minha rentabilidade de todas as aplicações de CDB por exemplo?


RENTABILIDADE GERAL

R$ LUCRO é simples, pois é a diferença do Valor Total Atual e Valor Total de Compra

% LUCRO também é simples, afinal é encontrado dividindo o R$ LUCRO pelo Valor Total de Compra

E como calcular o % LUCRO A.M. Geral?
Eu utilizo a média ponderada que me deixa com um resultado bem legal

Considerando os três investimentos acima, calculamos com a seguinte fórmula:

SOFISA LIQ DIÁRIA
% Lucro a.m. * (Total compra / Total Compra Geral)
0,549% * (800 / 4600)
0,095%

Fazendo o mesmo cálculo para os demais investimentos, chegamos aos números

DAYCOVAL LIQ DIÁRIA = 0,210%
PARANÁ LIQ DIÁRIA = 0,117%

Esqueça esses resultados individualmente, o importante é o somatório deles:
Então 0,095 + 0,210 + 0,117 = 0,423% ou 0,4%

Esse resultado mostra que minha rentabilidade da carteira CDB é de 0,4% a.m.

Caso eu queira, posso usar o mesmo método com ações, tesouro e etc. Assim posso calcular a rentabilidade geral de todos os investimentos.

Para quem tem mais intimidade com o Excel essas fórmulas são fáceis de fazer e compreender. Admito que para os amigos que não dominam muito o Excel, o melhor mesmo é utilizar o método padrão e sempre aplicar o mais próximo possível do início do mês.

No meu caso não gosto de ficar preso à obrigatoriedade de aplicar no primeiro dia, portanto prefiro utilizar o método que elaborei.

Caso queiram me ajudar a encontrar falhas e melhorias, por favor deixem nos comentários.

Pensei em compartilhar essa planilha para que vocês façam testes com ela. Caso realmente queiram, peço a gentileza de me explicarem como faço para compartilhar para que possa ser baixada por quem quiser.

Espero ter ajudado. Me perdoem por algum equívoco.

Abraços do Velho Bufunfa.

IMPORTANTE: Este post não é uma indicação de investimento ou algum tipo de análise financeira. Não faço esse serviço e não tenho qualificação para fazê-lo. Sou apenas um investidor amador que gosta de compartilhar as decisões pessoais.



sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Quais São as Causas da Pobreza?

Desde os desenhos animados que assistimos quando éramos pequenos que nos dizem que se acreditarmos em nós mesmos podemos conseguir qualquer coisa, somos doutrinados com a mensagem de que somente nós somos responsáveis pelo que conquistamos em nossa vida. Somos convencidos a aceitar que se algumas pessoas recebem altos salários, deve ser porque “merecem”. A consequência é que se somos pobres, deve ser porque não somos bons o suficiente ou não nos empenhamos o bastante.

Realmente somos responsáveis pelo que fazemos em nossas vidas. Mesmo com basicamente o mesmo histórico, pessoas diferentes terminam em situações distintas porque têm talentos diversos em coisas diversas e se esforçam de diferentes maneiras. Seria tolo pôr toda a culpa da desigualdade social no “ambiente social” ou na sorte. Porém não devemos eliminar a desigualdade tentando amenizar de maneira excessiva as diferenças entre os talentos e esforços individuais. Caso contrário estaremos motivando o surgimento de uma sociedade igualitária de forma repressiva, portando muito injusta.

Mesmo acreditando na ocorrência acima, que uma pessoa possa sair da extrema pobreza e realizar grandes conquistas na vida, preciso também enxergar que isso é na maioria das vezes uma exceção à regra. Geralmente são pessoas "fora da curva" com talentos ou "forças interiores" muito maiores do que a maioria das pessoas. Algumas causas da pobreza (senão a maioria), são “estruturais” pois estão além do nosso controle.

Nutrição infantil inadequada, falta de estímulo para a aprendizagem e escolas de baixo nível (com frequência encontradas em bairros humildes) restringem o desenvolvimento de crianças pobres, diminuindo suas perspectivas futuras. Os pais podem ter algum controle sobre quanta comida e estímulo de aprendizagem seus filhos terão. Alguns pais pobres fazem grandes esforços e oferecem mais do que outros, mas existe um limite para o que eles podem fazer. Eles geralmente estão em grande dificuldade financeira. Muitos estão totalmente exaustos de fazer malabarismos com dois ou três empregos ruins. A maior parte também teve uma infância pobre e uma educação precária.

Tudo isso significa que crianças pobres começam a vida já com pesos amarrados em suas pernas. A não ser que existam medidas sociais que ao menos compensem de forma parcial essas desvantagens, essas crianças não serão capazes de realizar por completo seus potenciais. Mesmo quando superam as dificuldades da infância e batalham para subir na escala social, as pessoas com históricos mais humildes provavelmente encontrarão mais obstáculos. A falta de conexões pessoais e a diferença cultural em comparação com a elite com frequência significam que as pessoas vindas de famílias pobres são discriminadas de maneira injusta quando se trata de contratações e promoções.

Também há dificuldades por outras características secretamente discriminadas como gênero, raça, orientação sexual, entre outros. Assim terão ainda mais dificuldades de conseguir uma oportunidade justa para demonstrar seu potencial. Não estou dizendo que tudo isso é a única razão para a pobreza e desigualdade, mas convenhamos que não podemos negar essa grande influência.

Com essas desvantagens, os pobres têm dificuldades para ganhar a corrida mesmo no mais justo dos cenários. Mas o mundo em geral é manipulados a favor das elites.

Quantos escândalos não vemos hoje em dia e quantos não saem impunes? O dinheiro dá aos super-ricos o poder até mesmo de reescrever as regras básicas do jogo ao comprar por vias legais e ilegais políticos e instituições do governo. Muitas desregulamentações do mercado de trabalho, assim como cortes de impostos para os ricos, são resultado dessa política do dinheiro.

Um número grande de pessoas aceita a pobreza e a desigualdade como resultados de diferenças entre as pessoas. Dizem que devemos conviver com essas realidades do mesmo modo como o fazemos com terremotos e vulcões. Será mesmo? Acredito que além do fato de os desempenhos e capacidades individuais serem diferentes de pessoa para pessoa também há um fator a ser considerado. Existe um esquema global financiado pelos ricos para garantir que os pobres continuem pobres. Se todos fossem ricos, ou se fosse muito fácil a mobilidade social entre classes, logo não haveriam os que fizessem o "serviço sujo".

O "controle" do limite da pobreza em um país está diretamente nas mãos do estado. Até mesmo para permitir que as pessoas saiam da pobreza através de seus próprios esforços, é necessário oferecer condições mais igualitárias na infância por meio educação, aprimorar o acesso a empregos para as pessoas pobres e impedir que os ricos e poderosos sabotem estes planos.

Não estou defendendo uma saída comunista ou socialista. Não prego um mundo injusto de tirar de quem produz e dar para um vagabundo como em muitos casos de bolsa família. Por que sempre temos que polarizar todas as nossas opiniões? Por que não podemos analisar um meio termo? Toda política social é para comprar votos ou sustentar vagabundos? Não podemos aplicar medidas justas e dignas ao invés de não dar assistência alguma? Ou usar isso para benefício próprio através de desvios ou compra de interesses?

A desigualdade sempre existirá, mas com políticas adequadas nós podemos viver em sociedades bastante igualitárias, como muitos noruegueses, finlandeses, suecos e dinamarqueses já vivem.

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Minhas 5 Polêmicas Regras de Finanças para Casais

Como vão Bufunfeiros?

Hoje vou compartilhar uma experiência pessoal que pode ajudar muito as pessoas que são casadas ou estão em união estável.
É para pessoas que possuem dificuldades para tratar do assunto de finanças pessoais com o companheiro(a).

Vamos ao primeiro raciocínio óbvio:

Caso você dois sejam pessoas que gostem desse assunto e tem objetivos de independência financeira, creio que não possuem dificuldades não é? Este é um relacionamento perfeito visto do lado financeiro.
Se as divergências são sobre os tipos de aplicações, prazos e fórmulas de análise, podemos abordar isso em um outro dia.

Hoje vamos tratar daqueles casais típicos em que uma das partes possui consciência financeira e a outra não. Vou mostrar algumas táticas que venho usado e tem dado certo. Só peço que leiam até o final antes de tirar alguma conclusão, pois o assunto é polêmico e controverso.

Existem dois tipos de casais: Os casais que somente um dos companheiros possui renda, e também os casais que ambos possuem renda. Mesmo nos casais que ambos possuem renda, é comum ver diferenças significantes entre uma renda e outra, e também acordos dos mais diferentes quanto à divisão de gastos. Independente disso, o conceito abaixo se aplica em ambos os casos.

A intenção desse post não é propor uma forma para dividir os gastos. Quero refletir em como administrar a formação do patrimônio e carteira de investimentos em um cenário que somente um é alfabetizado financeiramente.

OBS: A partir de agora vou utilizar sempre o termo "companheiro" no gênero masculino, mas entenda que estamos falando de uma mulher ou de um homem, ok?

Apresento abaixo as minhas regras pessoais. Elas podem ser utilizadas, desconsideradas ou modificadas pelos leitores mediante suas convicções pessoais.

Regra número 1
Antes de mais nada você precisa conhecer seu companheiro. Ele gasta por impulso? Em que mais gasta? Qual o padrão de vida a que estava acostumado? Quanto deve ser o seu rendimento? Se vivia com os pais e nunca trabalhou, recebia algum tipo de "mesada"?
São pontos importantíssimos, pois ao começar a vida à dois, é normal que ambos tenham que sair da zona de conforto em várias coisas, e dinheiro é uma das mais traumáticas. Se você não pode proporcionar um padrão maior a que a pessoa estava acostumada, é melhor deixar isso claro (várias vezes) antes de juntarem os trapos. E caso seu companheiro tivesse um padrão de vida bem inferior ao seu, não é prudente proporcionar um aumento repentino nesse padrão. Nós nos acostumamos com o luxo bem rapidamente, portanto deve ser uma transição gradual afim de ajustar à necessidade real do casal.

Regra número 2
Essa é com certeza polêmica, mas é importante. Nunca divulgue o seu real salário/rendimento. Antes de mais nada, estabeleça o valor mensal dos aportes e informe que o valor do seu salário é X, onde X é igual ao salário liquido real menos o aporte mensal. Se a pessoa não perguntar sobre o seu salário, nem é necessário chegar a esse ponto, mas na maioria dos casais esse tema é compartilhado.

Isso significa mentir para seu amado? Não ser confiável? Ser mau caráter? Bem... Podemos refletir que já agimos assim em várias coisas.

A questão aqui é o objetivo desse "ajuste de informação". É para o bem ou mal do seu companheiro? Se você tem um companheiro que não é consciente financeiramente, é bem provável que ele seja igual 99% das pessoas que gastam tudo o que ganham. Pessoas assim geralmente entendem que dinheiro guardado é felicidade não vivida. Então raciocinam eles: Não sei até quando vou viver, portanto estocar felicidade não vivida é uma burrice!

Nós já passamos por essa fase e sabemos que é uma grande falácia, portanto seu companheiro ainda não amadureceu em termos financeiros. Nós também agimos assim com nossos filhos em muitas coisas. Só permitimos o conhecimento em alguns assuntos quando estão maduros e podem lidar com essas informações.

Quando informamos o nosso salário ao companheiro, sempre o fazemos sobre o liquido, que é efetivamente quanto teremos em mãos. Repare que antes disso já há o desconto do INSS que é objetivado na aposentadoria.

O que te impede de ampliar esse valor aplicando de maneira voluntária? E se esse desconto fosse direto na folha de pagamento como um complemento em previdência privada oferecida pela sua empresa? O que te impede de ao invés disso você resolva aplicar no tesouro direto por exemplo?

A verdade é que as pessoas aceitam mais facilmente que o seu salário é aquele que sobra após os descontos "obrigatórios". Portanto é mais fácil uma pessoa aceitar 800 reais por mês de desconto em folha para previdência complementar do que você dizer que todo mês vai aportar 800 reais em ações.

A questão comportamental é parecida com a que os brasileiros estão acostumados desde sempre. É mais fácil pagar o carnê das casas Bahia do que juntar grana todo mês para comprar a vista, mesmo que a primeira opção seja desvantajosa. Quando seu companheiro descobrir que aquele aporte mensal não é "descontado direto" e pode ser deixado para o mês que vem, virá de imediato aquelas propostas "procrastinosas" que sabemos o quanto são maléficas.

Se preferir, no máximo informe que o valor do seu aporte mensal é na verdade um desconto mensal em folha para uma previdência da empresa, que só pode ser resgatado depois de muito tempo.

Regra número 3
Não trate seu companheiro como um ignorante incorrigível. Lembre que a maioria de nós não sabia administrar nossas próprias finanças um dia. Tente introduzir o assunto de maneira leve e descontraída. Não tente em um mesmo dia abordar o assunto explicando desde o rendimento da poupança, até como negociar ações no mercado de opções.

Primeiramente aborde o tema sugerindo colocar em uma planilha os gastos mensais do casal. Diga que é apenas uma sugestão que viu em um blog ou revista. Não crie ainda nenhuma pressão sobre metas ou limites. Nunca deixe claro de início que você é um "expert" das finanças e dos investimentos. Caso seu companheiro descubra, sempre ficará na mente dele que você esterá tentando impor seu modo de viver à ele, e sempre jogará isso na sua cara.

Depois de um tempo de implementado esse registro dos gastos mensais, converse sobre inserir também a renda mensal e comparar a diferença mensal entre os mesmos. Lembre que a renda a que me refiro é aquela sem considerar os aportes, afinal seu companheiro entende que seu salário líquido é esse.

Fique por alguns meses e veja as reações do seu companheiro. Veja se ele se sente confortável ou desconfortável. Ele busca sempre ver esse controle como forma de organizar os gastos a fim de caber no orçamento? É do tipo de pessoa que gosta de gastar sem se preocupar com o limite para tal?

Inicie um diálogo sobre poupança e construção de patrimônio. CUIDADO! Você não pode demonstrar um conhecimento acima da média. Não utilize termos como "aporte" ou "independência financeira". Prefira "juntar" e "poupar". Lembre-se que a impressão é que estão nessa descoberta juntos, caso contrário a pessoa se sentirá intimidada. Busque demonstrar as vantagens de comprar a vista, investir e formar patrimônio. Reflitam juntos sobre o consumismo e a errática necessidade de gratificações imediatas. Lembre sempre de não usar exemplos do seu companheiro pois ele se sentirá criticado. Faça reflexões sobre o mundo e mercado.

Nesse ponto você descobrirá se o seu companheiro está preparado para um passo além ou não.
Caso ele não simpatize com a ideia e prefira ser um proletariado consumista e não formador de patrimônio, respeite a opção dele. Não existe a questão de estar certo ou errado aqui. Isso é uma decisão pessoal.

Como é uma decisão pessoal, você também pode seguir a sua jornada da independência financeira. Acho desnecessário ficar espalhando isso aos quatro cantos, e também desnecessário comentar isso com o seu companheiro. Se já foi observado que esse é um tema que não lhe interessa, por que compartilhar isso? O máximo que vai conseguir é críticas por "fazer diferente de todo mundo". Não faltarão argumentos do tipo: Se isso funcionasse todo mundo seria rico, ou não sei se estarei vivo amanhã.
Caso ele goste das coisas, vamos ao próximo passo

Regra número 4
Aqui vocês iniciarão no mundo dos investimentos. Comece pelo mais básico que é a poupança. Pense que seu companheiro já está saindo da zona de conforto, portanto já iniciar os investimentos em modalidades que ele nem fazia ideia que existiam não é bom.

Fique um tempo na poupança até que em um belo dia você trás uma matéria que mostra que investir na poupança é o pior investimento. Talvez ele traga essa conclusão antes à você! Descubram isso juntos! Que tal um tesouro direto? Repita esse processo passando por vários tipos de investimentos como CDB, FII, LCA, LCI, LC, ações, fundos e etc.

Sempre respeite o tempo de maturação da ideia do seu companheiro. Se você chegou até aqui já é um sortudo, portanto não exija demais! Não fique discutindo preferências de papéis ou opções para aportar. Entenda que cada um tem uma opinião. Portanto você pode preferir renda variável e seu companheiro FII por exemplo. Perceba o quanto você é sortudo e aceite fazer concessões e decidir as coisas como casal.

Lembre que quando iniciarem nessa etapa dos investimentos, você ainda estará aportando "secretamente". Seu salário "oficial" ainda será aquele subtraindo esses aportes. Com isso posto, vocês iniciarão os investimentos juntos com a sobra desse seu salário "oficial". Esse seria um segundo aporte então.

Isso pode gerar uma pressão orçamentária grande, deixando vocês com pouca liberdade financeira. Tenha em mente um valor de "aporte mensal não declarado" um pouco menor do que sua real capacidade. Assim você poderá usar essa reserva para o segundo aporte em casal quando chegar nessa etapa. Não fique tão preocupado com rendimentos e sobre colocar esse segundo aporte na poupança. Lembre-se que isso tem uma finalidade educativa, e grande parte do seu aporte já está "secretamente" nos investimentos que são mais rentáveis.

Regra número 5
Um dia talvez vocês estejam em uma sintonia financeira tão grande que fique inclinado em revelar sobre esses aportes secretos e também seu real salário. Recomendo cautela! Por mais que a sua intenção foi o bem estar e educação financeira do seu companheiro, isso pode não ser entendido dessa forma. Podem surgir vários argumentos como falta de confiança ou traição financeira. Isso pode causar até divórcio! Antes de iniciar essa jornada, você precisa já traçar uma estratégia de conclusão.

Você argumentou lá no início que possuía uma previdência privada? Oba! Parece que a empresa abriu oportunidade para resgate!

Ou talvez:

Nossa! Ganhei uma processo antigo na justiça que nem sabia que iria vencer! Que bom, ganhei uma promoção no emprego por desempenho! Um parente distante faleceu e recebi uma herança!

Enfim, use a criatividade para justificar uma grana que até então estava oculta. Agora seu companheiro tem maturidade de administrar junto com você esse patrimônio, então não faz sentido continuar ocultando.

Mas se o seu companheiro parou lá nas primeiras etapas e não quer saber desse mundo de finanças, recomendo que continue fazendo de maneira secreta. Busque um advogado e mantenha-o atualizado frequentemente sobre seu patrimônio e onde está aplicado. Recomendo também fazer um seguro de vida colocando seu companheiro como beneficiário sem o conhecimento do mesmo.

Quando digo que deve "esconder grana" do seu companheiro não é motivado por egoísmo, pelo contrário. É para o bem dele. Se somente você tem a consciência sobre planejar o futuro e a aposentadoria, saiba que essa responsabilidade já é sua querendo ou não. Faça o que for melhor para o casal, mesmo ele não pensando dessa forma.

Não entrei em questões sobre regime de casamento, mas deve ser considerado. Entendo que uma vez unidos, o pensamento de vocês deve sempre ser em casal ao invés de individual (independente do regime de casamento). Nem por isso não devemos nos preocupar um pouco individualmente.

Se a união não der certo? Se seu companheiro te trai ou apenas queira divórcio por exemplo?

Seria justo (mesmo que legal) seu companheiro sempre ter vivido uma vida de gastança e ainda levar metade do patrimônio que você acumulou? Pense bem em qual regime de casamento vocês escolherão. Eu recomendo fortemente o regime de separação total de bens.

Mesmo na comunhão de bens, ainda há esperanças. A maioria dos divórcios é realizado por meio de conciliação. É tipo um acordo em que as partes decidem entre si o que cada um vai ficar. Você vai querer mesmo que aquela pessoa que te traiu leve metade do seu patrimônio para gastar com outra pessoa? Não é prudente ocultar parte do patrimônio quando é só você que está batalhando para construí-lo enquanto a outra parte só pensa em como consumi-lo? Existem inúmeras formas de blindar seu patrimônio legalmente, portanto estude sobre isso. Pense em patrimônio conjunto enquanto casado, mas pense em uma estratégia de proteção do patrimônio em caso de divórcio. Isso não é um pecado!

Enfim, é bastante reflexão. E são ainda maiores as opiniões sobre esse tema. Por mais que tenha elencado os assuntos como "regras", entenda que são minhas regras pessoais. Elas podem ser utilizadas, desconsideradas ou modificadas pelos leitores mediante suas convicções pessoais.

Espero que tenha colaborado com os leitores na reflexão sobre este tema,

Abraços do Senhor Bufunfa!

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

O Desperdício dos 5%

Olá Amigos do Sr. Bufunfa!

Hoje o post vai parecer meio sovina, mas não é!

Essa reflexão surgiu há algum tempo, antes mesmo de eu criar esse blog. Agora que o Bufunfa chegou, vamos embarcar nessa juntos?

Desde pequeno sempre fui ensinado a cortar o desperdício, de forma que esse é um comportamento comum para mim. Não preciso ficar "sofrendo" para mudar os hábitos. Para mim que tenho uma filosofia contra desperdícios, ver o oposto é quase uma bofetada na cara e uma falta de respeito com a minha "fé". Antes de mais nada, digo que esse meu "modus operandi" não foi gerado por traumas por fome, escassez ou necessidade.

Uma vez vi um filme aparentemente bobo, mas que me identifiquei muito em uma das cenas. Estou falando do filme Avatar. Lembram daquela cena que um animal é abatido e eles fazem uma espécie de prece? Existe um respeito com aquela vida e com os recursos que o mundo nos oferece. Portanto o desperdício para mim é algo "pecaminoso". Não no sentido religioso, mas algo que fere meu código moral e ético.

Algum tempo atrás, comecei a conviver com uma família que vivia em um mundo totalmente novo e assustador para mim. Não era uma família rica, mas também não eram miseráveis.

Deparei-me com desperdícios para todos os lados. Vou dar vários exemplos:
  1. Todos os dias eles fazem almoço para um batalhão, mas jogam quase metade no lixo.
  2. Bebem refrigerante todos os dias e o que sobra vai para o lixo. Caso duas horas depois voltem a beber, abrem outra garrafa.
  3. Usam sabonete e jogam no lixo bem antes de terminar seu uso útil.
  4. Muitas lâmpadas ficam acesas o dia todo
  5. Qualquer recipiente que acumule alguma coisa (creme dental, shampoo, maionese, etc) é jogado diretamente no lixo quando apresentar a mínima dificuldade para extrair o seu conteúdo.
  6. A compra no sacolão sempre é exagerada e semanalmente vai grande quantidade de alimentos para o lixo.
  7. Óleo de cozinha sempre é utilizado em grande quantidade e apenas uma vez. O pior: Vai para o ralo da cozinha.
  8. Usam papel higiênico em uma quantidade absurda! Não sei quantas bundas eles acham que possuem!
  9. Fazem um exagero de café e bebem pouco
  10. Gastam horrores com loteria esportiva.
Além destes exemplos, há muitos outros.

Eu questionei algumas coisas com discrição para não parecer que tratava-se de uma crítica, mas a resposta foi vaga e sem sentido. Algo do tipo: Tem que ser assim, pois o contrário é viver como um mendigo ou miserável.

Logo percebi que eles se sentiam prósperos e felizes justamente pelo fato de desperdiçarem!
Se eles fizessem arroz suficiente para todos comerem bem, era viver como pobre. Era necessário fazer o dobro para jogarem metade no lixo.
Lógico que eles não falaram dessa forma, mas era nítido! Acho que em algum momento da vida eles passaram por alguma privação, e essa é a forma de afastarem-se desta lembrança. O pior é que criaram os filhos nessa realidade, e provavelmente serão adultos que continuarão a viver dessa forma se conseguirem manter o padrão de vida. Caso não consigam, provavelmente se sentirão fracassados ou infelizes, ou demorará muito para a "ficha cair".

Pensando nisso, como sou um bom altista maníaco detalhista, resolvi fazer uma brincadeira com os números. Por alguns meses anotei detalhadamente cada gasto pessoal e calculei a média mensal por item.

Considere que sou uma pessoa muito consciente e econômica. Evito desperdícios e portanto os gastos apresentados podem parecer baixos para muitas pessoas. Mas não são baixos porque me abstenho do que eu gosto. Sou uma pessoa feliz vivendo de maneira simples. Eu busco independência financeira por liberdade, e não por aumento de consumo.

A lista abaixo contempla os itens que eu consumo que são mais propícios ao desperdício. Vamos considerar 5% do total como desperdício? Eu acho essa taxa até bem conservadora... Reparem também que os valores já são baseados em uma vida sem desperdício, pois se vivesse desperdiçando, o gasto mensal seria maior.


Vamos considerar então que você adote uma filosofia de vida sem desperdícios...
Considerando 5% de economia em todos os gastos devido ao corte do desperdício economizo R$ 20,50 por mês. Aplicando esse valor mensalmente com rendimento modesto de 0,8% ao mês, após uma vida consciente, em 30 anos obteria quase 43 mil Reais!

Você se imagina pegando uma sacola com R$ 43 mil e jogando no lixo? É exatamente isso que você faz durante 30 anos quando joga a pasta de dentes fora antes de acabar, deixa as lâmpadas acesas sem necessidade ou sempre faz mais comida do que sempre almoçam.
Não estou dizendo para você torcer e quebrar os dedos para tirar até o último grama do tubo de creme dental. Estou dizendo para evitar de desperdiçar 1/4 do tubo por preguiça!

Agora se 43 mil é uma boa grana, imagina alguém que tem uma vida mais comum? Quando falo comum, refiro-me a uma família com filhos e com um consumo maior. Imagine uma família com gastos de mil reais por mês desperdiçando 5%... Pelos mesmos cálculos acima, após 30 anos teriam quase 105 mil reais.

Não estamos falando de investimentos planejados, ou aportes comuns mensais. Não estamos falando de restringir o padrão de vida hoje para no futuro ter uma boa aposentadoria. Estamos falando em manter o mesmo padrão de vida, mas deixar de jogar as coisas no lixo!
"– você bebe?
– sim
– quanto por dia?
– 3 doses de whisky
– quanto paga pela dose de whisky ?
– cerca de R$10,00
– há quanto tempo você bebe?
– 20 anos
– uma dose de whisky custa R$10,00 e você bebe 3 por dia = R$900,00 por mês = R$10.800,00 por ano, certo?
– correto
– se em um ano você gasta R$10.800,00, sem contar a inflação em 20 anos você gastou R$216.000,00, certo?
– correto
– você sabia que com esse dinheiro aplicado e corrigido com juros compostos durante 20 anos você poderia comprar uma Ferrari?
– você bebe?
– não
– Então cadê a sua Ferrari?"

O texto acima é amplamente louvado e aplaudido por aqueles que vivem uma vida de desperdícios. Há uma tentativa desesperada de justificar os maus hábitos. Assumir o erro é o mesmo que dizer que você vive uma vida irresponsável e é fraco para mudar isso. Ninguém gosta de assumir isso.

Ao perguntar "Cade sua Ferrari?" a conversa é terminada, dando a entender que enquanto ele curtiu a vida, a esposa "certinha" só perdeu tempo na vida. Isso realmente pode ter ocorrido, e ao invés de bebidas ela tenha gastado com sapatos e bolsas. Mas existem mais possibilidade como:

Gastar o dinheiro proporcionando qualidade de vida com viagens ou bens ao invés de patrocinar um vício que faz mal à saúde, ou ajudar na economia mensal afim de criar uma poupança para velhice.

Mas para fazer isso, além de evitar os desperdícios você precisa planejar e ter controle da sua vida e suas finanças. Caso contrário essa sobra irá aos poucos sendo direcionada para outros gastos desnecessários.

Se você tem filhos, provavelmente vai querer pagar uma faculdade para ele não é? Talvez vai querer dar um carro de presente ou pagar a festa de casamento. Quem sabe dar entrada em um imóvel? Já pensou em não poder fazer isso um dia? Já pensou que você poderia se não tivesse jogado centavo por centavo no lixo durante esses 30 anos?

Após essa reflexão, convido a rever os desperdícios na sua vida. Talvez esse valor não faça diferença na sua vida, ou talvez faça. Mas pense também no mundo em que você mora, e no mal uso que fazemos dos recursos. Quantos animais não morrem todos os anos sem necessidade? Só para nos sentirmos mais prósperos quando jogamos uma coxa de frango no lixo? Imagina se fosse o contrário...

Se e quando você mudar, vai colher os resultados. Sua maneira diferente será observada e até criticada. Não desanime! É comum pessoas em busca de crescimento pessoal serem sabatinadas. Sua força de mudança e seu sucesso evidenciam e escancaram a fraqueza das outras pessoas. Elas não querem conhecer uma pessoa que venceu, pois isso prova que elas também conseguem. As pessoas em geral são acomodadas e querem acreditar que as coisas não são possíveis de alcançar, logo estão todos fadados a um fracasso justificável.

Força e siga em frente! Você é um soldado da Finansfera!

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Quando um Aporte se Torna Multa

Como vão amigos do Senhor Bufunfa?
Hoje estou profundamente p* da vida! Perdi R$ 950 para o Temer!

Multa de trânsito!

Antes de mais nada, não sou contra a disciplina no trânsito. Tudo precisa ter regras e fiscalização.

Mas uma coisa são regras e outra coisa são as "regras" que existem.

Para começar estava em uma viagem conduzindo meu popular em uma rodovia federal. Essa estrada não era privatizada, portanto devem imaginar que as condições não são boas não é? Era aquele tipo de estrada de uma pista só (Na verdade duas, uma para cada sentido).

Sou uma pessoa com bastante experiência na condução pois a vida me fez viajar muito, seja profissionalmente ou por motivos familiares. Nunca provoquei acidentes, apenas uma vez fui vítima de um, mas graças ao bom reflexo e atenção, consegui minimizar os efeitos para mim e o próprio veículo.

Estava em uma viagem rotineira que geralmente dura 3 horas e meia. Noventa por cento da viagem ocorre nessa estrada de uma única pista, e para piorar, as placas indicam que a velocidade máxima era de 60 Km/h. Também na maior parte do trajeto, a pista é demarcada com faixa dupla que não permite ultrapassagem.

Se eu fosse respeitar 100% dessas regras, minha viagem iria durar de 5 a 6 horas, o que é um absurdo! Não existe motivo lógico para a velocidade da pista ser de 60 Km/h e quase não haver demarcações para ultrapassagem! Nenhum dos motoristas que trafegam nessa estrada respeitam isso! Quando encontramos um que respeita, é justamente o que representa mais perigo de acidentes, pois é uma anomalia dentro de um padrão de comportamento geral que é andar a 90 Km/h em média.

Em uma gigante reta (plana e com total visibilidade), mas com faixa dupla do início ao fim, ultrapassei um caminhão capenga e ridículo que praticamente não andava! Aquele lixo não deveria nem estar mais em circulação de tão velho!
Após a ultrapassagem 100% segura, alguns metros à frente estava entocada a Polícia Rodoviária Federal. Me pararam, fizeram as gracinhas de sempre e aplicaram a multa. E pior de tudo: Filmaram!

Posteriormente eu fui no Google Maps e verifiquei que essa reta tinha 950 metros! Como pode ser ilegal o que eu fiz? Todos estão errados menos eu! O cara do caminhão que não poderia colocar aquela geringonça na estrada, o governo que deixa aquele caminhão trafegar e o órgão que sinalizou aqueles 950 metros com faixa dupla!
Enfim, eu parei e o "caminhão lixão" que deveria estar com todas as lanternas queimadas e exalando uma poluição terrível passou impune! Esse é nosso Brasil!

Somos um povo ignorante que não respeita as regras? Me desculpe, mas o trânsito brasileiro é uma piada! Dá mesmo para viajar respeitando as sinalizações que exemplifiquei acima? Sinceramente não dá!

Sou totalmente a favor de radares de velocidade e tal... Mas precisamos ser coerentes com as velocidades! Moro em uma cidade de mais de 100 mil habitantes e em nenhuma rua é permitido andar acima de 40 Km/h. Isso não é uma piada? Assim é fácil o governo extorquir quando precisa arrecadar. É só parar em um ponto e distribuir multa, afinal andar a menos de 40 Km/h é impraticável!

Desculpe se o post de hoje foi em tom de desabafo, mas infelizmente estou muito injuriado pois 950 reais é um absurdo levando em conta tudo isso. Essa grana daria um bom aporte esse mês, ou uma boa ajuda nas férias de fim de ano!

Obrigado e até mais meus amigos!

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

As 9 Escolas do Pensamento Econômico

E aí amigos do Sr. Bufunfa!

Hoje gostaria de abordar um tema bem legal, que são as escolas econômicas. Ao contrário do que a maioria das pessoas imaginam, não há apenas um tipo de teoria econômica. Não existe só uma resposta para tudo. Existem nove tipos diferentes de teorias, ou escolas, como muitas vezes são chamadas. Essas escolas não são inimigas, na verdade as fronteiras entre elas são indistintas. Nenhuma dessas escolas pode alegar superioridade sobre as outras, e menos ainda o monopólio da verdade. Ao contrário das ciências naturais, a economia envolve juízos de valor, apesar de muitos economistas dizerem que eles fazem uma ciência livre de valores. Atrás de conceitos técnicos e números áridos se encontram todos os tipos de juízos de valor:

O que é uma vida boa? Como as opiniões minoritárias devem ser tratadas? Como as melhorias sociais devem ser definidas e quais as formas moralmente aceitáveis de alcançar o “bem maior”?

Mesmo que uma teoria seja mais “correta” a partir de determinado ponto de vista político ou ético, pode não ser a partir de outro.

“O que isso tem a ver comigo?”

O fato é que todos nós precisamos saber algo sobre as diversas abordagens à economia; do contrário, seremos vítimas passivas das decisões de outra pessoa. Por trás de cada política econômica e ação empresarial que afetam nossas vidas — salário mínimo, terceirização, segurança social, segurança alimentar, aposentadoria etc. —, há alguma teoria econômica que as inspira ou, com mais frequência, fornece justificativa para o que os que estão no poder querem fazer. É apenas quando sabemos que existem diferentes teorias econômicas que podemos dizer aos que estão no poder que eles estão errados quando falam que “não há alternativa”, como disse certa vez Margaret Thatcher, na infame frase em defesa de suas medidas polêmicas. Quando aprendemos como é grande o terreno intelectual que há em comum entre supostas “facções inimigas” na economia, podemos resistir melhor aos que tentam polarizar o debate ao retratar tudo em preto e branco. (Alguém aí pensou em Reforma da Previdência?)
Abaixo há um breve resumo dos principais conceitos e percepções dessas "escolas". Esse post não tem a pretensão de te tornar um especialista nelas, apenas dar uma visão bem geral e aguçar sua curiosidade para estudá-las mais detalhadamente se assim desejar.


1 - A escola Clássica
Resumo: O mercado mantém todos os produtores em alerta por meio da competição; portanto, deixe-o em paz.

Surgiu no final do século XVIII e dominou o campo até o final do século XIX. Segundo a escola clássica, a busca do interesse próprio por agentes econômicos individuais produz um resultado socialmente benéfico sob a forma de riqueza nacional máxima. Esse resultado é possibilitado pelo poder da concorrência do mercado. No seu esforço para obter lucros, os produtores se esforçam para fornecer artigos melhores e mais baratos, e acabam produzindo artigos ao menor custo possível, maximizando, assim, a produção nacional. Essa ideia é conhecida como a mão invisível do mercado e tornou-se possivelmente a mais influente metáfora na economia.

A escola clássica rejeitava qualquer tentativa do governo de restringir o livre mercado, por exemplo, através do protecionismo ou regulamentação. A escola clássica via a economia capitalista como composta por “três classes da comunidade”, ou seja, capitalistas, trabalhadores e proprietários rurais.

Apesar de ser uma escola antiga, com poucos praticantes nos dias de hoje, a escola clássica ainda é relevante para o nosso tempo. Algumas teorias clássicas, mesmo que não estejam erradas no sentido lógico, têm aplicabilidade limitada hoje porque foram projetadas para um mundo muito diferente do nosso.


2 - A escola Neoclássica
Resumo: Os indivíduos sabem o que estão fazendo, então vamos deixá-los em paz — exceto quando os mercados funcionam mal.

A escola neoclássica surgiu na década de 1870. A escola neoclássica afirmava ser a herdeira intelectual da escola clássica. Os economistas clássicos acreditavam que o valor de um produto é determinado pelas condições de oferta, ou seja, os custos da sua produção. Eles mediam os custos segundo o tempo de trabalho despendido na produção — isso é conhecido como teoria do valor-trabalho. Os economistas neoclássicos enfatizavam que o valor (chamado por eles de preço) de um produto depende também do quanto o produto é valorizado pelos potenciais consumidores; o fato de algo ser difícil de produzir não significa que seja mais valioso. A escola conceituava a economia como um conjunto de indivíduos racionais e egoístas, e não como um conjunto de classes distintas, como dizia a escola clássica. A escola neoclássica mudou o foco da economia, da produção para o consumo e a troca.
Vilfredo Pareto (1848-1923) argumentou que, se respeitarmos os direitos de cada indivíduo soberano, é possível considerar que uma mudança social foi válida apenas quando ela melhora condições de um grupo sem piorar as de nenhum outro. Não deve haver mais sacrifícios individuais em nome do “bem maior”. Isso é conhecido como critério de Pareto, e hoje constitui a base de todos os julgamentos sobre melhorias sociais na economia neoclássica.
A escola neoclássica tem alguns pontos fortes específicos. Sua insistência em subdividir os fenômenos até o nível do indivíduo lhe confere um alto grau de precisão e clareza lógica. Ela é também versátil.
A escola neoclássica tem sido criticada por assumir, de maneira demasiado incisiva, que as pessoas são egoístas e racionais. O foco da escola neoclássica na troca e no consumo a faz negligenciar a esfera da produção, que é grande parte da nossa economia — e a mais importante, segundo outras escolas. Comentando sobre essa deficiência, Ronald Coase, economista institucionalista, em sua conferência ao receber o prêmio Nobel de economia de 1992, definiu depreciativamente a economia neoclássica como uma teoria que só serve para analisar “indivíduos solitários que fazem intercâmbio de nozes e frutinhas nas margens da floresta”.


3 - A escola Marxista
Resumo: O capitalismo é um poderoso veículo para o progresso econômico, mas vai entrar em colapso à medida que a propriedade privada se tornar um obstáculo para novos progressos.

Surgiu a partir das obras de Karl Marx, produzidas entre 1840 e 1860, a começar com a publicação de O manifesto comunista, em 1848, em coautoria com Friedrich Engels (1820-95). Vê-se cada sociedade como sendo construída sobre uma base econômica, ou modo de produção. Essa base é constituída pelas forças de produção (tecnologias, máquinas, habilidades humanas) e pelas relações de produção (direitos de propriedade, relações de emprego, divisão do trabalho). Sobre essa base está a superestrutura, que compreende a cultura, a política e outros aspectos da vida humana, que, por sua vez, afetam a maneira como a economia é posta em prática.
A escola marxista via as sociedades evoluindo através de uma série de etapas históricas, definidas segundo seu modo de produção: o comunismo primitivo (sociedades “tribais”); o modo de produção antigo (baseado na escravidão, como na Grécia e em Roma); o feudalismo (baseado na dominação de semi-escravos ou servos, ligados à terra, por senhores feudais); capitalismo; e comunismo. O capitalismo é visto como nada mais que uma fase do desenvolvimento humano antes de atingirmos a fase final, do comunismo.
A escola marxista via os conflitos de classe como a força central da história — resumida na declaração do Manifesto comunista: “A história da sociedade até hoje é a história da luta de classes”. Ademais, a escola marxista se recusava a ver a classe trabalhadora como uma entidade passiva, como fazia a escola clássica, e lhe atribuía papel ativo na história. Ao contrário da maioria dos economistas, Marx e alguns dos seus seguidores deram atenção ao trabalho como tal, e não como uma desutilidade que temos que aguentar a fim de ganhar dinheiro para consumir. Ele acreditava que o trabalho podia permitir que os seres humanos expressassem a sua criatividade inerente. Marx também foi o primeiro grande economista que compreendeu de verdade a importância da inovação tecnológica no processo de desenvolvimento capitalista, tornando-a o elemento central da sua teoria.


4 - A tradição desenvolvimentista
Resumo: As economias atrasadas não podem se desenvolver se deixarem as coisas inteiramente por conta do mercado.

Pouco conhecida pela maior parte das pessoas e raramente mencionada mesmo em livros de história do pensamento econômico, há uma tradição econômica ainda mais antiga do que a escola clássica que começou no fim do século XVI e início do XVII.
Não chamaremos a tradição desenvolvimentista de escola porque esse termo significa que há fundadores e seguidores identificáveis, com teorias fundamentais claras. Essa tradição é muito dispersa, com múltiplas fontes de inspiração e uma linhagem intelectual complicada.
É talvez a tradição intelectual mais importante na economia em termos de seu impacto sobre o mundo real. É essa tradição, e não o racionalismo estreito da economia neoclássica ou a visão marxista da sociedade sem classes, que está por trás de quase todas as experiências bem-sucedidas de desenvolvimento econômico na história da humanidade, desde a Grã-Bretanha do século XVIII, passando pelos Estados Unidos e Alemanha do século XIX, até a China de hoje.
A tradição desenvolvimentista se concentra em ajudar os países economicamente atrasados a desenvolver suas economias e alcançar os mais avançados. Para os economistas dessa tradição, o desenvolvimento econômico não é simplesmente uma questão de aumentar a renda, o que poderia acontecer devido a um aumento súbito de recursos, tal como encontrar petróleo ou diamantes. É uma questão de adquirir capacidades produtivas mais sofisticadas, isto é, a capacidade de produzir utilizando (e criando novas) tecnologias e organizações. Contudo, ela argumenta que essas atividades não se desenvolvem naturalmente numa economia atrasada, uma vez que já são realizadas pelas empresas nas economias mais avançadas. Nesse tipo de economia, a menos que o governo intervenha
para promover tais atividades — com tarifas, subsídios e regulamentação —, os livres mercados a puxarão constantemente de volta para aquilo que ela já faz bem — ou seja, atividades de baixa produtividade, com base em recursos naturais ou mão de obra barata. (Alguém pensou em Brasil?)


5 - A escola Austríaca
Resumo: Ninguém sabe o suficiente; então deixemos todo mundo em paz.

Nem todos os economistas neoclássicos defendem o livre mercado. E nem todos os economistas do livre mercado são neoclássicos. Os adeptos da escola austríaca são defensores ainda mais apaixonados do livre mercado do que a maioria dos seguidores da escola neoclássica.
A escola austríaca foi iniciada por Carl Menger (1840-1921) no fim do século XIX. Ludwig von Mises (1881-1973) e Friedrich von Hayek (1899-1992) ampliaram a influência da escola para além de sua terra natal. Ela ganhou atenção internacional durante o chamado Debate do Cálculo, nos anos 1920 e 1930, no qual lutou contra os marxistas sobre a viabilidade do planejamento central. Em 1944, Hayek publicou um livro popular e extremamente influente, O caminho da servidão, que advertia com ardor contra o perigo de que a intervenção governamental leve à perda da liberdade fundamental do indivíduo.
Embora destacando a importância do indivíduo, a escola austríaca não acredita que os indivíduos são seres racionais e atomísticos, como assumido na economia neoclássica. Ela vê a racionalidade humana como algo severamente limitado. Seu argumento é que o comportamento racional só é possível porque nós, seres humanos, limitamos de forma voluntária, embora inconsciente, as nossas opções, aceitando sem questionar as normas sociais.
Os austríacos dizem que o livre mercado é o melhor sistema econômico não porque somos pessoas perfeitamente racionais que sabem tudo (ou pelo menos tudo que precisamos saber), tal como nas teorias neoclássicas, mas exatamente porque não somos muito racionais e porque há tantas coisas no mundo que são impossíveis de se conhecer em sua essência.


6 - A escola (neo-)Schumpeteriana
Resumo: O capitalismo é um poderoso veículo de progresso econômico, mas se atrofia à medida que as empresas se tornam maiores e mais burocráticas.

Joseph Schumpeter (1883-1950) não é um dos maiores nomes na história da economia. Mas seus pensamentos foram originais o suficiente para criar toda uma escola que leva seu nome — a escola schumpeteriana, ou neo-schumpeteriana. (Nem mesmo Adam Smith tem uma escola com seu nome.)
Tal como os austríacos, Schumpeter trabalhou sob a sombra da escola marxista — tanto que os primeiros quatro capítulos de sua grande obra, Capitalismo, socialismo e democracia, publicada em 1942, são dedicados às teorias de Marx.
Ele argumentou que o capitalismo se desenvolve por meio de inovações feitas por empreendedores, ou seja, a criação de novas tecnologias de produção, novos produtos e novos mercados. As inovações dão ao empresário bem sucedido um monopólio temporário em seu mercado, permitindo-lhe obter lucro excepcional, que Schumpeter chamou de lucro empresarial. Com o tempo seus concorrentes imitam as inovações, forçando o lucro de todos a baixar para o nível “normal”.
Ele observou que, com a escala crescente das firmas capitalistas e a aplicação de princípios científicos à inovação tecnológica (o surgimento dos “laboratórios empresariais”), os empresários estavam cedendo lugar para gestores profissionais, a quem ele chama, com desprezo, de “tipos executivos”. Com a burocratização da gestão das empresas, o capitalismo perderia seu dinamismo. O capitalismo iria murchar lentamente e se transformar em socialismo, e não encontrar a morte violenta prevista por Marx. A previsão de Schumpeter não se tornou realidade. O capitalismo virou, na verdade, mais dinâmico depois dessa previsão lúgubre da sua morte.
Felizmente, os herdeiros intelectuais de Schumpeter (também chamados de escola neo-schumpeteriana) ultrapassaram essa limitação da teoria, em especial através do sistema nacional de abordagem de inovação, que analisa as interações entre os vários agentes do processo de inovação — empresas, universidades, governos e outros.


7 - A escola Keynesiana
Resumo: O que é bom para os indivíduos pode não ser bom para a economia como um todo.

Nascido no mesmo ano que Schumpeter e também merecedor da honra de ter uma escola com seu nome, nosso foco agora é John Maynard Keynes (1883-1946). Em termos de influência intelectual, não há comparação entre os dois. Keynes foi, sem dúvida, o economista mais importante do século XX. Ele redefiniu a disciplina ao inventar o campo da macroeconomia — ramo dos estudos econômicos que analisa a economia como um todo, como uma entidade que é diferente da soma total das suas partes.
Antes de Keynes, a maioria das pessoas concordava com as palavras de Adam Smith: “O que é prudência na conduta de cada família não pode ser loucura na conduta de um grande reino”.
Rejeitando essa visão, Keynes procurou explicar como pode haver trabalhadores desempregados, fábricas ociosas e produtos não vendidos durante períodos prolongados, quando os mercados devem supostamente equiparar a oferta e a demanda.
Keynes partiu da observação óbvia de que uma economia não consome tudo o que produz. A diferença — isto é, o que ela economiza — precisa ser investida se se deseja que tudo que foi produzido seja vendido e se todos os insumos produtivos, incluindo o serviço dos trabalhadores, sejam empregados (é o que se chama de pleno emprego). Infelizmente, não há garantia de que essa quantia economizada será igual aos investimentos, em especial quando aqueles que investem e aqueles que poupam não são os mesmos. Isso porque o investimento, cujos retornos não são imediatos, depende das expectativas dos investidores sobre o futuro. E essas expectativas, por sua vez, são movidas por fatores psicológicos, e não por cálculos racionais, pois o futuro é cheio de incertezas.
A prevalência da incerteza na economia keynesiana significa que o dinheiro não é simplesmente uma unidade de contabilidade ou um meio de troca conveniente, como pensava a escola clássica (e a neoclássica). É um meio de fornecer liquidez — ou seja, uma maneira para alterar rapidamente a posição financeira — em um mundo incerto. Em vista disso, o mercado financeiro não é apenas um meio de fornecer dinheiro para investir, mas também um lugar para se ganhar dinheiro aproveitando as diferenças entre as opiniões quanto aos retornos sobre os mesmos projetos de investimento — em outras palavras, um lugar para a especulação.
A escola keynesiana pode ser criticada por dar atenção em demasia a questões de curto prazo — tal como resumido na famosa tirada humorística de Keynes: “A longo prazo estaremos todos mortos”. Keynes estava absolutamente certo ao enfatizar que não podemos executar políticas econômicas na esperança de que, no longo prazo, as forças “fundamentais”, como a tecnologia e a demografia, de algum modo resolvam tudo, como os economistas clássicos costumavam argumentar.
Contudo, o foco nas variáveis macroeconômicas de curto prazo tornou a escola keynesiana um pouco fraca nas questões de longo prazo, tais como o progresso tecnológico e as mudanças institucionais.

8 - A escola Institucionalista
Resumo: Os indivíduos são produto da sua sociedade, embora possam mudar as regras.

A partir do final do século XIX, um grupo de economistas americanos contestou as escolas clássica e neoclássica, então dominantes, por não dar importância, ou mesmo ignorar, a natureza social dos indivíduos — isto é, o fato de que eles são produto das suas sociedades. Eles argumentavam que precisamos analisar as instituições, ou regras sociais, que afetam e até mesmo formam os indivíduos. Esse grupo de economistas é conhecido como escola institucionalista.
O momento mais brilhante da escola foi o New Deal, de cujo projeto e execução participaram muitos de seus membros. Hoje o New Deal é muitas vezes considerado como um programa de políticas keynesianas. Mas, refletindo bem, Teoria geral do emprego, do juro e da moeda, a obra máxima de Keynes, só saiu em 1936, um ano após o segundo New Deal, de 1935 (o primeiro foi em 1933). O New Deal tratava muito mais das instituições — a regulação financeira, a segurança social, os sindicatos, a regulação dos serviços públicos — do que de política macroeconômica.
Após a década de 1960, a escola institucionalista entrou em declínio. Em parte isso foi devido à ascensão da economia neoclássica nos Estados Unidos na década de 1950. A visão bastante estreita da escola neoclássica do que a economia deve ser, com sua ênfase na teoria baseada no indivíduo, nos pressupostos “universais” e na modelagem abstrata, fez com que ela considerasse a escola institucionalista não só como diferente, mas intelectualmente inferior. Porém, o declínio também foi devido às fraquezas da própria escola. Ela não conseguiu teorizar plenamente os diversos mecanismos através dos quais as instituições surgem, persistem e mudam. Só via instituições como resultados de decisões coletivas formais (legislação) ou como produto da história (normas culturais). Contudo, as instituições podem ser criadas de outras formas: como uma ordem espontânea surgindo das interações entre indivíduos racionais (escolas austríaca e nova economia institucionalista); através de tentativas por parte de indivíduos e organizações de desenvolver dispositivos cognitivos que lhes permitam lidar com a complexidade (escola behaviorista); ou como resultado de uma tentativa de manter as relações de poder existentes (escola marxista).

9 - A escola Behaviorista
Resumo: Como nós não somos inteligentes o suficiente, precisamos restringir deliberadamente a nossa própria liberdade de escolha, através de regras.

A escola behaviorista é assim chamada porque tenta elaborar um modelo dos comportamentos humanos tal como eles realmente são, rejeitando a suposição neoclássica dominante de que os seres humanos sempre se comportam de forma racional e egoísta. A escola amplia essa abordagem para o estudo das instituições e organizações econômicas — por exemplo, qual a melhor forma de organizar uma empresa ou como projetar a regulamentação financeira. Assim, essa escola tem uma afinidade fundamental com a escola institucionalista, da qual alguns de seus membros também fazem parte.
Sua visão é que nós tentamos ser racionais, mas nossa capacidade é muito limitada, especialmente tendo em conta a complexidade do mundo — ou, dada a prevalência de incerteza, para usar uma formulação keynesiana. Isso significa que muitas vezes a principal restrição na nossa tomada de decisão não é a falta de informações, mas a nossa capacidade limitada de processar as informações que temos. Dada a nossa racionalidade limitada, desenvolvemos “atalhos” mentais que nos permitem economizar nossa capacidade mental. Esses atalhos são conhecidos como heurística (ou pensamento intuitivo) e podem assumir diferentes formas: regra geral, bom senso ou pareceres de peritos. Subjacente a todos esses dispositivos mentais está a capacidade de reconhecer padrões, que nos permite abandonar um grande leque de alternativas e focar num pequeno leque de possibilidades, administrável e promissor. Herbert Simon, agraciado com o prêmio Nobel de economia em 1978, costumava citar os mestres de xadrez como exemplo de quem usa uma abordagem mental — o segredo dos enxadristas está em sua habilidade de eliminar rapidamente os caminhos de busca menos promissores e convergir para uma sequência de lances que provavelmente darão melhores resultados. Focar um subconjunto de possibilidades significa que a escolha resultante pode não ser a ideal, mas essa abordagem nos permite lidar com a complexidade e a incerteza do mundo com a nossa racionalidade limitada. Portanto, argumenta Simon, ao fazer suas escolhas os seres humanos buscam o satisfatório, isto é, procuram soluções “boas o suficiente”, e não as melhores, como na teoria neoclássica.

Considerações finais: como fazer economia da melhor maneira

Não basta reconhecer que existem diferentes abordagens à economia. Essa diversidade tem que ser preservada ou até mesmo incentivada. Dado que diferentes abordagens enfatizam diferentes aspectos e oferecem perspectivas distintas, conhecer todo um leque de escolas e não apenas uma ou duas nos permite ter uma compreensão mais completa e equilibrada dessa entidade complexa chamada economia. Diferentes abordagens à economia podem se beneficiar de fato aprendendo umas com as outras, tornando mais rica a nossa compreensão do mundo econômico.

Tão logo aprendamos que diferentes teorias econômicas dizem coisas diferentes em parte porque se baseiam em valores éticos e políticos distintos, teremos a confiança para discutir a economia considerando o que ela de fato é: um argumento político, e não uma “ciência” em que há claramente certo e errado. E só quando o grande público mostrar consciência dessas questões é que os economistas profissionais considerarão impossível intimidá-lo se declarando guardiões de verdades científicas.

Assim, conhecer diferentes tipos de economia e seus respectivos pontos fortes e fracos não é um exercício esotérico reservado apenas para os economistas profissionais. É parte vital do aprendizado sobre economia e também uma contribuição ao nosso esforço coletivo para fazer com que essa disciplina possa melhor servir à humanidade.

Este post é um breve resumo dos conceitos apresentados no livro "Economia, Modo de Usar".

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Quitei minha Casa! UFA!

Boa tarde Amigos(as) do Sr. Bufunfa!

Como já havia comentado antes, consegui quitar meu financiamento habitacional!
Sei que muitos ficaram curiosos, visto que meus balanços demonstravam que não possuía capacidade para tal façanha. Vamos lá desvendar o mistério:

Até o último fechamento de agosto/17 (veja aqui), o total pago no imóvel tinha sido R$ 59.000
Sexta feira passada, com mais R$ 98.000 quitei o financiamento.
Total pago pelo imóvel: R$ 157.000

Segredo: (Disse a vocês que era mais simples do que imaginavam)

Minha digníssima esposa quitou o financiamento, e pediu em contra-partida que colocasse 50% do imóvel em nome dela. Somos casados em separação total de bens, portanto a contabilidade de patrimônio eu faço separada. Por mais que na prática nós tenhamos tudo em comum e não ficamos dividindo as coisas, a contabilidade que usamos para declaração do IR exige um controle individual. Portanto cheguei a seguinte conclusão contábil:

Se o valor total pago no imóvel foi de 157.000, sendo que tenho 50% dos direitos e paguei somente 59.000, logo:

É similar à uma venda de 50% do imóvel por 98.000. Portanto me gerando um "lucro" de 19.500.

Portanto meus amigos, a partir de hoje vou contabilizar 78.500 como valor de patrimônio alocado em imóvel. Esse valor é o total pago por mim + o "lucro".

Digo "lucro" entre aspas pois ela é minha esposa e não estou lucrando em cima dela. Como já disse temos tudo em comum e nosso plano é viver juntos para sempre. Isso é apenas um conceito formal de contabilizar as coisas, ok?

A grande vantagem é que anteriormente pagava uma parcela de 1.100 reais, e agora esse valor vai sobrar para os aportes! Então não vou pagar quase 700 reais de juros em cada parcela! Muito bom não é? Agora meu patrimônio pessoal já ultrapassou a casa dos 100 mil!

Hoje o post foi rápido. Somente passei aqui para desvendar o mistério conforme prometido, e também comemorar o rompimento da marca de 100 K.

Abraços e até mais!

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Minha Estratégia de Investimentos

Olá Amigos do Sr.Bufunfa!

Hoje vou ser rápido e conto com o engajamento de vocês com dicas para o iniciante aqui.

Estou começando a formar minha carteira de investimento em ativos financeiros novamente, e antes de mais nada, preciso adotar quais serão as estratégias. Pensei da seguinte forma:

1. Criar uma carteira com liquidez no valor de R$ 20.000

Esse é o primeiro passo. Emergências surgem, e oportunidades também. Preciso ter esse valor com uma boa liquidez. A maioria em liquidez diária e o restante dividido em 30, 60 e 90 dias.
O importante aqui é que a modalidade que entendo ser a mais recomendada é Pós Fixada atrelada ao CDI, com cobertura do FGC. Como é uma grana que vai ficar parada quase constantemente, a intenção é pegar títulos com vencimento longo para evitar pagar muito no IR. Portanto tenho que evitar títulos com prazo fechado, e sim com prazos longos, porém com liquidez após 30, 60 ou 90 dias. Hoje tenho 2.700 em liquidez diária pagando 100% CDI divididos entre Sofisa e Daycoval.

2. Continuar investindo em renda fixa até o total atingir R$ 50.000

Atingindo os 20k com liquidez, começaria a buscar outros títulos de renda fixa com prazos e rentabilidades maiores até chegar a aproximadamente 50k.

3. Até R$ 100.000, manter 20% investido em ações.

Quando passar a barreira dos 50k, começaria a buscar os 100k alocando 20% em ações. Isso significa que quando atingir os 100k, as ações representarão 10% dos aportes, pois os 50k iniciais continuariam alocados em renda fixa.

4. Até R$ 500.000

Quando a carteira de investimentos ultrapassar o valor de 100k, realmente não sei o que farei e acho que nem é o momento de analisar isso. Preciso aprender mais durante o caminho para tomar boas decisões no futuro, portanto creio que planejar agora é perda de tempo. Um exemplo é o bitcoin. Será que as pessoas que investem nele hoje pensavam nisso 3 anos atrás? O que me garante que daqui a 3 anos não surgirão outras oportunidades que não consigo prever hoje?

Como ainda estou buscando concluir a etapa 1, fiz uma pesquisa das oportunidades disponíveis no mercado. Busquei bancos e financeiras que oferecem boas taxas e que aceitam investimentos baixos. Também busquei entre as opções mais populares aqui da Finansfera. Montei uma tabela com as minhas opções:


Para entender qual é a melhor opção de investimento no caso acima, é importante saber:

Índice de Basiléia - Quanto maior, melhor. Exemplo: Se um banco possui Índice de Basiléia de 20%, significa que, para cada R$ 100,00 emprestados, o banco possui patrimônio de R$ 20. Ou seja, quanto mais elevado for este índice, maior será a garantia de que o banco terá capacidade de honrar com seus compromissos. O índice mínimo exigido pelo Banco Central do Brasil é 11%.

Índice de Imobilização - Quanto menor, melhor. Exemplo: Se um banco possui Índice de Imobilização de 30%, significa que, a cada R$ 100,00 em seu patrimônio, R$ 30,00 estarão investidos em bens que não possuem uma liquidez imediata, ou seja, imobilizado em imóveis, veículos, materiais, etc. Quanto mais reduzido for o Índice de Imobilização, maior agilidade terá o banco para usar seu patrimônio a fim de honrar seus compromissos. O índice máximo tolerado pelo Banco Central do Brasil é 50%.

Como ainda estou com apenas 2.700 reais em investimentos com liquidez imediata, continuarei com liquidez diária. Só avaliando esse quesito me restam apenas 5 opções:

Banco Pan, Paraná, Sofisa, Daycoval e Financeira Negresco.

A Negresco já posso descartar logo, pois não tenho 10 mil para começar...

Em relação aos demais:

Banco Pan
É o que oferece melhor rentabilidade com 103% do CDI, porém seu índice de basiléia está em 11,6. Desde setembro/14 este índice cai a cada fechamento, o que me deixou alerta. O Banco também fechou 2014, 2015 e 2016 no prejuízo.

Banco Paraná
Oferece uma boa taxa de 102% do CDI na liquidez diária e possui um índice de basiléia de 21,3 (melhor que Itaú, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e Caixa). Tem uma imobilização um pouco alta, mas o histórico recente é de redução, o que é muito bom.

Banco Sofisa

Bons índices e oferecendo 100% da CDI diária. Uma boa opção, inclusive já tenho uma merreca lá.

Banco Daycoval

Parecido com o Sofisa no que se refere aos indicadores e também oferecendo 100% da CDI diária. Também tenho dinheiro investido aqui.

Então...
Considerando estas 4 opções, e mesmo sabendo que ambos são garantidos pelo FGC, eu não me sinto a vontade de aplicar no Banco Pan. Se alguma coisa der errado, não quero precisar entrar na burocracia do FGC por causa de merreca, ainda mais que o objetivo é liquidez para emergências.

Dos três restantes, gostei bastante do Banco Paraná. A rentabilidade é boa e eles também possuem um aplicativo que parece bem funcional. Como meu aporte deve ser por volta de mil reais por mês, creio que se encaixa perfeitamente com o mínimo exigido.

Portanto ao que tudo indica, no próximo fechamento mensal apresentarei algum dinheiro aplicado no Paraná.

Meus amigos da Finansfera poderiam colaborar com algumas opiniões e sugestões?

Por hoje é isso! Rumo à IF!

IMPORTANTE: Este post não é uma indicação de investimento ou algum tipo de análise financeira. Não faço esse serviço e não tenho qualificação para fazê-lo. Sou apenas um investidor amador que gosta de compartilhar as decisões pessoais.

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Minha Vida Profissional. Como ir além?

Olá amigos do Sr. Bufunfa!

Hoje tentarei ser breve e conto com uma ajuda de vocês. Vejo que aqui na Finansfera há muitas pessoas experientes e bem sucedidas, portanto não faz mal pedir uns conselhos não é mesmo?

Na última postagem em que falei um pouco da minha infância até o início da vida adulta (confira aqui), terminei prometendo contar como foi minha vida profissional desde então. Hoje é o dia de continuar a história. Estou sentindo-me um pouco perdido profissionalmente e por isso preciso de uns conselhos.

No ano de 2003 comecei a trabalhar com carteira assinada em uma empresa. Foi meu primeiro emprego de verdade na vida e ganhava 400 e poucos reais.

Dois meses depois, uma outra empresa observando meu bom desempenho, me fez uma proposta de emprego para ganhar 690 reais. Eu achei ótimo e embarquei nessa. Nessa segunda empresa fiquei um ano, e logo mudei para uma terceira empresa para ganhar um pouco mais de 1.100 reais.

Em alguns posts anteriores comentei que nunca havia pensado em faculdade. E realmente nunca havia pensado até que um dia andando na rua, vi uma placa de matrículas abertas. Fiquei curioso e sem pretensão alguma entrei para conferir. Em 2005 acabei saindo de lá matriculado para um vestibular.

Era uma faculdade particular daquelas fáceis, e o curso era uma mistura de técnico com certificado de ensino superior. Duração total 2 anos e meio. Fiz o vestibular e passei. Comecei a estudar a noite e a mensalidade era de 300 e poucos reais . Cabia no meu bolso.
Nessa terceira empresa, ocorreu em um ano uma premiação para eleger os 3 melhores funcionários dentre quase 100 pessoas. Eu ganhei juntamente com duas pessoas. Realmente eu era uma das pessoas que mais me destacava seja pela garra ou pela inteligência. Em atividades braçais é muito comum encontrar pessoas com baixo poder cognitivo, e nesse quesito eu me diferenciava bastante. Como é de imaginar, em meio à pessoas com mentalidade pequena houve muita inveja. Mas deixa isso para lá...

Pouco tempo depois (fim de 2005) me convidaram para uma vaga no setor administrativo nessa mesma empresa. Era para atuar na mesma área do curso "superior" que estava fazendo. Foi um encaixe perfeito. Passei a ganhar aproximadamente 1.800 reais.

Aproveitei a oportunidade e me destaquei bastante. Um ano e meio depois mudei de empresa para ganhar 2.400 reais. Continuei me destacando, e meu salário foi aumentando... Quando fui promovido para coordenador em 2009, eu ganhava 3.700 reais. Era coordenador de uma pequena equipe de 4 pessoas. Na verdade eu não fazia gestão das pessoas. Eu era tipo o capitão do time. Trabalhava igual aos outros, porém eu que fazia a supervisão técnica dos resultados. Era quase uma mistura de inspetor/auditor. Fiz um trabalho bom como sempre, mas em 2011 resolvi pedir demissão para abrir meu negócio.

Não vou entrar em detalhes, mas como já visto em outros posts, o negócio não funcionou, além de ter alguns gastos com divórcio. Entrei em dívidas e tal...

Em novembro e dezembro de 2013 comecei a mandar alguns currículos para contatos chaves. Em janeiro de 2014 fui recontratado pela empresa que havia ganho aquele prêmio e que havia me dado um oportunidade no setor administrativo. Peguei na hora, afinal foi a melhor empresa que já havia trabalhado, e o salário era de 4.700 reais.

Estou nessa empresa até hoje. Sou muito bom no que faço e sempre muito elogiado. Aqui no setor administrativo trabalham mais ou menos umas 20 pessoas. Meu gerente me dá ótimos feedbacks e inclusive já falou para mim e para o Diretor que sou o melhor funcionário que ele tem.

Eu sempre fui muito técnico desde que me conheço. Eu sou aquele tipo de pessoa que devora o Excel, sabe fazer qualquer tipo de indicador e etc. Faço todo tipo de análise com uma rapidez incrível. Tenho muita facilidade de elaborar processos de trabalho e análises e tal.

Só para se ter uma ideia, eu otimizo minha rotina de trabalho de tal forma no Excel e Visual Basic, que se forem somar as horas que efetivamente trabalho por dia seriam de duas a três do total das 8 da jornada diária.

Mesmo praticamente ficando a maior parte do dia "à toa", ainda tenho rendimento de 2 a 3 vezes mais do que qualquer funcionário daqui.

Várias vezes quando o "bicho pega" nos outros setores, sempre sou acionado para ajudar tecnicamente.

O problema é justamente esse. Eu sou visto como um cara muito técnico e um "canivete suíço" da empresa. Já pensei em utilizar as outras horas vagas para produzir mais para a empresa, mas isso reforçaria ainda mais meu lado técnico. Em outras oportunidades que resolvi trabalhar o máximo que podia, comecei até a causar mal estar no ambiente de trabalho, pois como não havia mais nada para fazer na minha área, começava a entrar em outras áreas e propor melhorias, mudanças, etc.

Outra questão também é a seguinte: Eu não sou bom em ser político e sociável. É muito comum pessoas com características técnicas e com capacidade cognitiva acima da média terem dificuldades nesse quesito. Algum tempo atrás eu me comprometi a mudar isso, e realmente tenho tido avanços. Meu gerente e meus amigos de trabalho dizem que mudei muito, e que sou uma outra pessoa. Mas ainda me sinto muito diferente das demais pessoas.
Para evoluir na empresa que trabalho, é necessário aprimorar-se na gestão de pessoas. O caminho para mim é me tornar um coordenador, supervisor, gerente e etc. Como eles sabem da minha dificuldade (por mais que tenha melhorado), creio que será mais difícil para mim. Promoção por capacidade técnica praticamente inexiste aqui. A famosa carreira Y não acontece. Para quem não sabe, é aquele ponto que você pode subir na carreira tornando-se especialista ou um gestor.
Eu quero 2 coisas:

Aumento de salário e aprimoramento na habilidade gestão. Especialista eu já sou, e agora quero também aprender o que não sei ainda, que é a gestão de pessoas. Quero ser mais político e social.
Eu preciso mudar da água para o vinho. Talvez se eu estivesse em uma empresa nova, conseguisse disfarçar. Mas como eles sabem como já fui um dia, sempre ficarão com receio de me colocar em um cargo de gestão.

Vocês podem me ajudar com alguma dica? Como eu reverto essa visão que as pessoas tem de mim? Indicam algum bom livro? Um curso? Seminário? Vídeo?

Preciso de ajuda, sei que existem muitos empresários e gestores aqui na comunidade. Poderiam compartilhar a experiência de vocês?

Obrigado.

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